Ucrânia Procura Gás em Moçambique para Superar Crise Energética Após Ataques Russos

A Ucrânia está a procurar novas fontes de energia e demonstra interesse no gás de Moçambique, após perder grande parte da sua produção devido aos ataques da Rússia. O presidente Volodymyr Zelensky destacou a possibilidade de cooperação entre os dois países, envolvendo fornecimento de gás e apoio em segurança. Moçambique, com grandes reservas e projetos liderados pela TotalEnergies, surge como parceiro estratégico, apesar dos desafios causados pela insurgência em Cabo Delgado.

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A Ucrânia está a intensificar esforços para diversificar as suas fontes de energia, apontando agora para Moçambique como um potencial parceiro estratégico no fornecimento de gás natural.

Após anos de ataques contínuos da Rússia às suas infraestruturas energéticas, o país europeu enfrenta sérias dificuldades para garantir a estabilidade do seu abastecimento interno. Antes do conflito, Kiev conseguia suprir quase toda a sua procura de gás através da produção nacional. No entanto, essa realidade mudou drasticamente.

De acordo com Andriy Pyshnyi, a Ucrânia perdeu cerca de metade da sua capacidade de produção de gás até ao final de 2025, resultado direto dos ataques russos. Nos últimos meses do ano passado, as ofensivas intensificaram-se, atingindo sobretudo instalações localizadas nas regiões do nordeste e centro do país, muitas delas próximas das linhas da frente.

Neste contexto, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, revelou que o país está interessado em estabelecer novas parcerias energéticas. Após um encontro com o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, Zelensky destacou a possibilidade de cooperação bilateral.

Segundo o líder ucraniano, Kiev procura garantir fornecimentos adicionais de energia, enquanto Moçambique poderá beneficiar da experiência ucraniana em áreas como segurança e tecnologia. O apoio poderá ser particularmente relevante face aos desafios de segurança que o país africano enfrenta, sobretudo relacionados com o terrorismo no norte.

Moçambique tem vindo a afirmar-se como um dos principais produtores de gás em África, atraindo o interesse de vários mercados internacionais. Em janeiro deste ano, o governo moçambicano e a TotalEnergies anunciaram a retoma de um ambicioso projeto de gás natural liquefeito (GNL) na província de Cabo Delgado, anteriormente suspenso devido à instabilidade provocada por grupos insurgentes.

Com uma capacidade estimada de produção anual de cerca de 13 milhões de toneladas métricas de GNL, o projeto poderá posicionar Moçambique como um dos principais exportadores globais de gás. No entanto, a insurgência armada que se prolonga desde 2017 continua a representar um obstáculo significativo à exploração plena dos recursos energéticos.

Importa recordar que a Ucrânia deixou de importar gás russo desde 2015, o que torna ainda mais urgente a busca por alternativas seguras e sustentáveis no cenário internacional.

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