O silêncio das buzinas e o estacionamento improvisado dos “chapeiros” marcaram a manhã desta terça-feira em KaTembe. Pelo segundo dia consecutivo, os transportadores semi-coletivos que circulam na rota Anjo Voador–Chamissava decidiram suspender suas atividades, em protesto contra o estado crítico da estrada de terra que liga as duas localidades. O resultado: dezenas de passageiros sem alternativas de transporte, alguns obrigados a percorrer a pé mais de três quilômetros sob o sol escaldante ou entre lamaçais.
Os chapeiros afirmam que o abandono da via tem provocado prejuízos constantes aos veículos, que sofrem danos frequentes em suspensão, pneus e chassis. Além disso, denunciam o descumprimento de promessas por parte das autoridades locais, que garantiram reabilitar a estrada há meses, sem que qualquer intervenção concreta fosse realizada. “Gastamos mais em reparos do que ganhamos com o transporte diário. Não podemos continuar assim”, disse um chapeiro as TV Sucesso.
A paralisação, além de gerar transtornos imediatos, revela um problema estrutural maior: a negligência com vias de acesso que conectam bairros periféricos à cidade. Especialistas alertam que a deterioração constante de estradas não apenas afeta a mobilidade urbana, mas também coloca em risco a segurança de passageiros e motoristas, dificultando até o acesso de ambulâncias e serviços de emergência.
Enquanto isso, os passageiros esperam uma resposta das autoridades. Muitos reclamam da ausência de alternativas de transporte público e da falta de diálogo entre governo local e operadores privados. A situação em KaTembe se tornou um reflexo do impacto social de obras prometidas, mas nunca executadas, deixando comunidades inteiras presas entre a lama e a burocracia.
O episódio serve como alerta para a urgência de investimentos em infraestrutura e manutenção urbana. Se a situação não for resolvida, a paralisação pode se estender, aumentando os riscos de acidentes e o sofrimento diário de quem depende desses transportes. No fim, a estrada esburacada não é apenas um problema de veículos; é uma barreira silenciosa que revela falhas profundas na gestão pública e na atenção às necessidades básicas da população.




