Governo Garante Abastecimento Estável de Combustíveis em Maputo

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O cenário repetiu-se em vários pontos da Cidade e Província de Maputo: longas filas, ansiedade visível e uma pergunta no ar — haverá combustível suficiente para todos? A recente corrida aos postos de abastecimento acendeu um alerta silencioso, alimentado por informações que rapidamente se espalharam e geraram incerteza entre os consumidores.

Diante da crescente preocupação, a Direcção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis veio a público garantir que o país continua com o abastecimento assegurado, afastando a hipótese de escassez iminente. Em comunicado divulgado esta sexta-feira, a instituição explicou que o pico de procura não resulta de falhas no sistema, mas sim de uma reação em cadeia provocada por dados técnicos mal interpretados.

No centro da controvérsia está a divulgação de que Moçambique dispunha de reservas operacionais equivalentes a cerca de 12 dias. A informação, associada ao clima de instabilidade no Médio Oriente, foi suficiente para desencadear um movimento massivo de consumidores em busca de garantir combustível, pressionando os postos e criando constrangimentos logísticos.

Apesar disso, as autoridades insistem: o sistema de abastecimento continua funcional e sustentado por contratos sólidos. Um acordo de fornecimento em vigor até maio de 2027 assegura a continuidade das importações, que seguem um calendário regular, com entradas de combustível a cada 15 dias. Até ao momento, não há registo de interrupções nesse fluxo.

Enquanto a procura aumentava nas bombas, nos bastidores o processo de reposição manteve-se em marcha. Está prevista para o dia 30 de março a chegada de novos carregamentos ao porto de Maputo, o que deverá reforçar significativamente os níveis de stock — com autonomia adicional de 26 dias de gasolina e 17 dias de gasóleo.

Além disso, já estão confirmadas novas janelas de importação para o mês de abril, numa tentativa de garantir estabilidade nas semanas seguintes e evitar novos picos de tensão no mercado.

A Associação Moçambicana de Empresas Petrolíferas (AMEPETROL) também entrou em cena para tranquilizar a população. A organização sublinhou que não existe qualquer indicação de ruptura iminente e que o abastecimento está a ser gerido de forma coordenada entre os diferentes operadores do setor.

Segundo a associação, muitas das informações que circularam nas redes sociais têm origem em relatórios técnicos semanais — documentos internos que incluem dados operacionais como volumes em trânsito, cronogramas de descarga nos portos de Maputo, Beira, Nacala e Pemba, e encomendas em curso. Fora de contexto, esses dados acabaram por alimentar interpretações alarmistas.

Nos terminais oceânicos, o combustível já disponível encontra-se em processo normal de libertação para o mercado, reforçando a oferta nas principais cidades. Como medida adicional para aliviar a pressão, foi autorizada a operação extraordinária dos terminais neste sábado, 28 de março, permitindo acelerar a distribuição para os postos de abastecimento.

Tanto as autoridades quanto os operadores convergem num apelo direto: evitar o armazenamento doméstico de combustível. Esse comportamento, alertam, contribui para agravar a pressão sobre o sistema e cria uma escassez artificial que não reflete a realidade do país.

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