O céu volta a fechar-se sobre o sul de Moçambique — e desta vez com um aviso que não deixa margem para descuido. Um alerta laranja foi emitido para várias zonas das províncias de Maputo e Gaza, sinalizando a chegada de um novo episódio de mau tempo capaz de agravar um cenário já considerado crítico.
De acordo com as previsões, a instabilidade atmosférica que se aproxima da região traz consigo chuva intensa, acompanhada por trovoadas e rajadas de vento que podem atingir níveis preocupantes. O aviso mantém-se válido até às 24 horas de domingo, período em que autoridades pedem máxima vigilância por parte da população.
Na província de Maputo, o impacto poderá ser sentido de forma abrangente. Distritos como Moamba, Manhiça, Matutuine, Boane, Namaacha, Magude e Marracuene estão na rota das chuvas, assim como as cidades de Maputo e Matola — áreas densamente povoadas onde qualquer alteração climática extrema tende a ter efeitos imediatos no quotidiano.
Mais a norte, na província de Gaza, o cenário não é menos preocupante. Chókwe, Bilene, Guijá, Chibuto, Massingir, Mapai, Chicualacuala, Massangena e Mabalane, além da cidade de Xai-Xai, surgem entre os pontos sob vigilância. São regiões que, em muitos casos, ainda enfrentam as consequências acumuladas de episódios anteriores de chuva intensa.
O apelo das autoridades é direto: prevenir antes que seja tarde. O Instituto Nacional de Meteorologia recomenda a adoção de medidas de segurança, num momento em que o histórico recente reforça a gravidade da situação.
Desde outubro, a atual época chuvosa já deixou um rasto pesado em todo o país. Dados atualizados pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres indicam que 304 pessoas perderam a vida, enquanto mais de um milhão foram afetadas por cheias, destruição de infraestruturas e deslocações forçadas.
Este novo alerta surge, assim, não como um episódio isolado, mas como parte de uma sequência de eventos climáticos que continuam a testar a capacidade de resposta das comunidades e das autoridades. Em muitas zonas, o solo saturado e os sistemas de drenagem já sobrecarregados aumentam o risco de inundações repentinas.
À medida que o relógio avança para o fim do prazo do alerta, cresce também a tensão entre moradores que, ano após ano, enfrentam o mesmo ciclo de incerteza. O que está em jogo não é apenas a intensidade da chuva — mas a capacidade de resistir a mais um capítulo de uma época que já deixou marcas profundas no país.




