O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) desmantelou, na manhã desta quinta-feira, uma rede internacional de tráfico de seres humanos que operava a partir da cidade de Maputo. A operação culminou com o resgate de seis mulheres de nacionalidade vietnamita, com idades compreendidas entre 25 e 35 anos, que se encontravam em cativeiro e sob efeito contínuo de drogas, sendo forçadas à exploração sexual.
Segundo explicou João Adriano, porta-voz do SERNIC na cidade de Maputo, a investigação teve início após denúncias anónimas feitas por vizinhos da residência onde as vítimas estavam a ser mantidas. O local, aparentemente comum, escondia um esquema sofisticado de tráfico humano com ramificações internacionais.
“São cidadãos que conseguiram aliciar as suas conterrâneas com promessas falsas de emprego em Moçambique. Uma vez no território nacional, foram-lhes retirados os passaportes e quaisquer documentos de identificação. Depois, foram submetidas a condições desumanas e exploradas sexualmente nesta residência que aparentava ser apenas mais uma casa de família”, explicou Adriano.
Durante o resgate, as autoridades constataram que as vítimas estavam em estado de fragilidade física e emocional, muitas com sinais de trauma e desnutrição. Algumas delas relataram que viviam sob constante vigilância, eram obrigadas a consumir drogas e não tinham qualquer tipo de contacto com o exterior.
Em conexão com o caso, foram detidos três indivíduos de origem vietnamita, todos em situação migratória regular, mas cujas atividades vinham sendo monitoradas pelas autoridades. Segundo o SERNIC, os suspeitos faziam parte de uma célula mais ampla, possivelmente com ligações a redes de tráfico humano na Ásia e em outros países africanos.
“As investigações continuam e não descartamos a possibilidade de cúmplices nacionais estarem envolvidos, inclusive com suporte logístico ou corrupção passiva”, sublinhou Adriano.
As seis mulheres resgatadas foram encaminhadas a um centro de acolhimento temporário, onde estão a receber apoio psicológico, assistência médica e cuidados básicos. O SERNIC está a trabalhar com a Embaixada do Vietname para o processo de repatriamento e reintegração das vítimas.
Este caso reacende o debate sobre o tráfico de seres humanos em Moçambique, um crime silencioso que afeta sobretudo mulheres e meninas vulneráveis. Nos últimos anos, diversas ONGs e organismos internacionais têm alertado para o aumento de casos de exploração sexual, laboral e tráfico de menores, muitas vezes associados ao crime organizado e à fragilidade dos mecanismos de controlo fronteiriço.
De acordo com relatórios recentes da Organização Internacional para as Migrações (OIM), Moçambique tem sido identificado como país de trânsito e destino para vítimas de tráfico, especialmente oriundas da Ásia e de países vizinhos da África Austral.
O SERNIC reforça o apelo para que os cidadãos denunciem qualquer indício de tráfico ou exploração, lembrando que este tipo de crime lesa os direitos humanos fundamentais e compromete a dignidade de milhares de vítimas anónimas.




