Chinês acusado de agredir trabalhadora endurece regras e ignora autoridades em Moçambique

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A indignação pública em torno do vídeo que mostra um empresário de nacionalidade chinesa a agredir fisicamente uma trabalhadora ganhou novos contornos, após relatos de que o mesmo intensificou o clima de repressão no local de trabalho, como forma de retaliação pela divulgação do caso.

A agressão, cuja gravação circulou amplamente nas redes sociais nos últimos dias, provocou comoção nacional e reacendeu o debate sobre as condições laborais em empresas geridas por estrangeiros, especialmente no sector informal e semi-industrial.

Segundo relatos colhidos no local, a visita da Inspecção-Geral do Trabalho, ocorrida na passada sexta-feira, resultou em poucas acções concretas, tendo o cidadão chinês ignorado as orientações das autoridades e reaberto o estabelecimento como se nada tivesse acontecido.

Os trabalhadores descrevem um ambiente laboral ainda mais tenso desde o escândalo, com proibição total de conversas durante o horário de trabalho, vigilância constante e ameaças veladas de despedimento. Há também denúncias de que os funcionários estão a ser pressionados a não colaborar com jornalistas nem a comentar publicamente o caso.

“Depois da denúncia, ele ficou mais duro. Disse que agora ninguém mais vai abrir a boca, senão será despedido sem direito a nada”, contou um trabalhador sob anonimato.

De acordo com a TV Miramar, o empresário ordenou o encerramento imediato do espaço e expulsou todos os trabalhadores, tentando evitar o contacto com a imprensa. Apenas após a chegada da polícia, a equipa teve permissão para entrar no recinto.

Confrontado pelas câmaras, o empresário chinês limitou-se a afirmar que irá pagar uma indemnização à trabalhadora agredida, sem revelar valores ou prazos. Ainda assim, manteve a postura inflexível ao declarar que “não permite conversas durante o serviço”, num claro sinal de que a gestão autoritária prevalecerá.

A polícia foi destacada para o local a fim de assegurar a integridade física do empresário e proteger o estabelecimento, enquanto um grupo de populares se aglomerava exigindo a sua expulsão do país. A situação exigiu contenção para evitar o agravamento da tensão.

Organizações da sociedade civil, sindicatos e defensores dos direitos humanos manifestaram indignação com a impunidade aparente do agressor, e apelam para uma acção firme por parte do Ministério do Trabalho, Migração e Segurança Social.

“O que está em causa aqui não é apenas uma agressão física, mas sim um padrão de exploração e desrespeito pelas leis moçambicanas. A resposta do Estado deve ser proporcional à gravidade da situação”, afirmou uma activista da ONG Justiça Laboral.

Até ao momento, não há informações oficiais sobre a possibilidade de deportação ou cancelamento do alvará de funcionamento do estabelecimento, medidas esperadas por muitos cidadãos como forma de restaurar a confiança no sistema de justiça laboral.

Enquanto isso, os trabalhadores continuam sob pressão, e o caso ganha contornos de símbolo da fragilidade da fiscalização laboral em contextos de dependência económica de certos sectores privados estrangeiros.

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