Ataque israelita em Gaza mata seis jornalistas e reacende denúncias de genocídio

Ataque de precisão em Gaza atinge tenda de jornalistas e mata seis profissionais, incluindo dois da Al Jazeera. Hamas e organizações internacionais condenam Israel.

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A calma tensa junto ao hospital Al Shifa foi quebrada por um ataque de precisão que atingiu diretamente a tenda onde jornalistas palestinianos trabalhavam. Em segundos, câmeras e microfones transformaram-se em destroços, e seis profissionais da comunicação perderam a vida.

Entre as vítimas estão Anas al-Sharif e Mohamed Qraiqea, correspondentes da rede catariana Al Jazeera, os fotojornalistas Ibrahim Zaher e Moamen Aliwa, o assistente de fotografia Mohamed Nofal e Al Khalidi. O ataque não apenas ceifou vidas, mas também atingiu simbolicamente a liberdade de imprensa no território palestiniano.

O gabinete de informação do governo do Hamas condenou o que chamou de “perseguição e assassínio sistemáticos” de jornalistas palestinianos por Israel, e apelou às federações internacionais de jornalistas e aos organismos jornalísticos globais para que emitam uma condenação formal. A nota oficial também exigiu que a comunidade internacional leve Israel aos tribunais internacionais e exerça “pressão séria e efetiva para pôr fim ao crime de genocídio”.

Segundo dados citados pela agência EFE, desde outubro de 2023, já foram mortos 238 jornalistas, influenciadores e criadores de conteúdo durante a ofensiva israelita em Gaza.

A morte de Anas al-Sharif não foi totalmente inesperada para alguns observadores. Em julho de 2024, o Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) já havia alertado para a segurança do repórter, denunciando que ele estava sendo alvo de uma “campanha de difamação militar israelita” — que considerou um “trampolim para o seu assassinato”. Na época, o porta-voz do exército israelita em árabe, Avichay Adraee, intensificou ataques nas redes sociais contra o jornalista, acusando-o, sem apresentar provas, de ligação ao Hamas.

Após o ataque, o exército israelita admitiu ter matado os jornalistas e afirmou que Al-Sharif era membro do Hamas, apresentando dois documentos cuja origem e autenticidade não puderam ser verificadas.

O conflito, que teve início em 7 de outubro de 2023 após um ataque sem precedentes do Hamas no sul de Israel — que deixou cerca de 1.200 mortos e mais de 200 reféns — já provocou mais de 61.000 mortos em Gaza, segundo fontes palestinianas, e destruiu grande parte da infraestrutura do território, mergulhando-o numa crise humanitária severa, marcada por fome, doenças e deslocamentos em massa.

Israel, Estados Unidos e União Europeia classificam o Hamas como uma organização terrorista.

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