Moçambique prepara-se para dar um passo histórico na sua trajetória económica e financeira: a possível retirada da Lista Cinzenta do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI), organismo que monitora a prevenção e o combate ao branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo a nível global.
O anúncio foi feito pelo coordenador nacional do Comité Executivo de Políticas de Prevenção e Combate ao Branqueamento de Capitais e Financiamento ao Terrorismo, Luís Cezerilo, que revelou que a avaliação decisiva terá lugar nos dias 8 e 9 de Setembro, em Maputo, com a presença de 23 avaliadores internacionais do GAFI.
Segundo Cezerilo, Moçambique concluiu com sucesso todas as recomendações impostas pelo organismo, num processo que levou dois anos e meio de intenso trabalho e reformas profundas no sistema financeiro, judicial e institucional do país.
“Chegamos ao fim. Cumprimos todas as recomendações. Isto é bom para o país, para as nossas instituições e para a imagem internacional de Moçambique. Hoje somos um país de referência para o GAFI”, destacou o coordenador.
Estar na Lista Cinzenta significa que o país apresenta deficiências estratégicas no combate ao branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo. Para investidores, bancos e instituições financeiras internacionais, isso traduz-se em maior risco e menor confiança, o que pode dificultar fluxos de investimento estrangeiro e aumentar custos de transações internacionais.
A saída da lista colocará Moçambique numa posição de maior credibilidade e competitividade no cenário económico internacional, abrindo portas para:
- Atração de novos investimentos estrangeiros;
- Maior confiança do setor bancário internacional;
- Fortalecimento da cooperação financeira com organismos multilaterais;
- Melhor ambiente de negócios e crescimento económico sustentável.
Moçambique entrou para a Lista Cinzenta do GAFI após avaliações que identificaram fragilidades no sistema de monitoria financeira e de combate ao terrorismo. Desde então, o Governo tem implementado reformas estruturais em setores estratégicos, incluindo legislação mais rigorosa, capacitação institucional e maior articulação entre entidades reguladoras, judiciais e policiais.
De acordo com Cezerilo, dos cerca de 40 indicadores avaliados pelo GAFI, restava apenas um em falta — já devidamente corrigido.
Com a visita da liderança máxima do GAFI ao país, Moçambique pode consolidar-se como um exemplo regional na prevenção de crimes financeiros, reforçando a sua imagem externa e preparando o terreno para um crescimento económico mais seguro, transparente e resiliente.
“A saída da Lista Cinzenta não é apenas um marco técnico, mas um sinal de confiança internacional no nosso país. É uma vitória coletiva que beneficia cidadãos, empresas e instituições”, concluiu Cezerilo.




