A tensão dentro da Renamo voltou a subir de tom este sábado, com um novo episódio que expõe as fraturas cada vez mais visíveis no seio do maior partido da oposição em Moçambique. António Muchanga reuniu-se com membros e antigos combatentes desmobilizados para exigir, sem rodeios, o afastamento imediato de Ossufo Momade da presidência da formação política.
O encontro, marcado por um ambiente de forte coesão entre os participantes, transformou-se numa demonstração clara de insatisfação com a atual liderança. Entre gestos de solidariedade e palavras de ordem, a mensagem foi direta: a permanência de Momade no cargo já não é vista como sustentável por uma parte significativa da base.
A contestação surge dias após declarações do próprio Momade, feitas na província de Manica, nas quais admitiu a possibilidade de deixar a liderança ainda este ano. Para a ala liderada por Muchanga, essa posição é insuficiente. O grupo defende que qualquer adiamento apenas prolonga a instabilidade interna e enfraquece ainda mais o partido num momento considerado crítico.
Reintegrado recentemente por decisão judicial, Muchanga aproveitou o encontro para reforçar a sua posição dentro da organização. Num gesto que combina estratégia política e jurídica, anunciou que irá disponibilizar a sua equipa de advogados para apoiar membros suspensos pela atual direção, numa tentativa de reverter sanções disciplinares e fortalecer a ala contestatária.
O simbolismo também marcou presença. Cartazes com a imagem de Afonso Dhlakama, figura histórica da Renamo, foram exibidos ao longo da reunião, evocando um apelo ao regresso dos princípios que, segundo os participantes, definiram a identidade do partido ao longo dos anos.
Este novo capítulo aprofunda uma crise interna que se arrasta e que agora ganha contornos mais intensos. À medida que diferentes facções se posicionam, cresce a pressão por uma clarificação urgente sobre o rumo da liderança.
Num partido onde a unidade sempre foi um dos pilares centrais, o momento atual levanta dúvidas sobre a capacidade de recomposição interna — e sobre o impacto político que esta disputa poderá ter no cenário nacional.




