Ramaphosa surpreso à proposta de sanções dos EUA contra a África do Sul e líderes do ANC

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O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, afirmou esta quinta-feira estar surpreso e sem explicações claras sobre os motivos que levam os Estados Unidos da América a pretenderem impor sanções à África do Sul e a membros seniores do Congresso Nacional Africano (ANC).

A declaração surge dias depois da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes dos EUA aprovar uma proposta legislativa para revisar profundamente as relações bilaterais entre Washington e Pretória. A proposta, apresentada pelo congressista republicano Ronny Jackson, inclui eventuais sanções económicas e restrições contra líderes do ANC, o partido no poder na África do Sul desde o fim do apartheid.

“Ouvimos sobre o que aconteceu na comissão de relações exteriores da Câmara de Representantes e todo esse processo que ainda tem um longo caminho a percorrer. Não sabemos exactamente o que está a impulsionar tudo isso”, disse Ramaphosa, acrescentando que Pretória continua empenhada em manter boas relações com Washington.

Ramaphosa sublinhou que a África do Sul mantém canais diplomáticos abertos com os EUA e que pretende discutir diretamente a questão das sanções e outros temas bilaterais relevantes.

“Temos boas relações diplomáticas com os Estados Unidos da América e queremos enriquecê-las e melhorá-las. Portanto, estamos muito optimistas de que os resultados do nosso relacionamento com os Estados Unidos serão abrangentes”, disse o presidente.

As relações entre os dois países têm se tornado progressivamente tensas, especialmente após o regresso de Donald Trump à presidência dos EUA, com uma postura externa mais assertiva. A neutralidade estratégica da África do Sul em conflitos globais sensíveis, como a guerra entre a Rússia e a Ucrânia e o conflito Israel–Palestina, tem gerado desconforto em Washington.

Pretória tem sido criticada nos bastidores por manter laços amistosos com Moscovo e por condenar veementemente as ações israelitas na Faixa de Gaza, sem alinhar-se totalmente às posições ocidentais.

A legislação, ainda em fase inicial, propõe a reavaliação da parceria EUA–África do Sul, incluindo a possibilidade de suspender benefícios comerciais e aplicar sanções individuais contra membros do governo sul-africano, se for provado que estão a colaborar com regimes hostis ou a violar princípios de direitos humanos.

O documento deverá ser apresentado ao plenário da Câmara em Setembro para votação final.

Num momento em que o mundo enfrenta polarizações diplomáticas crescentes, a África do Sul procura manter sua soberania diplomática e política externa independente, sem perder aliados estratégicos. O posicionamento de Ramaphosa mostra cautela, abertura ao diálogo e firmeza na defesa da imagem internacional do país.

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