No coração do Parque Nacional de Mágoè, em Tete, uma batalha silenciosa está em curso — e os protagonistas são, surpreendentemente, as pequenas viaturas que transportam um inimigo invisível: o pescado ilegal. Desde janeiro, pelo menos cinco dessas viaturas foram interceptadas, carregando peixes com tamanho proibido por lei, ameaçando o delicado equilíbrio do ecossistema local.
Juliana Mwitu, administradora da reserva, não esconde sua preocupação: “A água na albufeira de Cahora Bassa está cada vez mais baixa — o que já enfraqueceu a vida aquática. Agora, juntamos a isso a pesca predatória, e o resultado é devastador.”
O que chama a atenção é o chamado “pendinho”, um termo que pode soar inofensivo, mas que representa o maior perigo para a continuidade da pesca na região. “Hoje, em vez de peixes adultos, só encontramos pendinho — peixes jovens que deveriam crescer e gerar novas gerações”, explica Juliana.
Ela conta, com voz firme, que recentemente prendeu uma viatura abarrotada dessas pequenas presas: “Não se deve pescar o pendinho. Ele é a semente que vai garantir que amanhã ainda haja peixe para pescar.”
Essa apreensão é mais do que uma operação policial: é um grito de alerta para pescadores, autoridades e comunidade. A mensagem é clara: sem respeito à natureza e às leis, o que parecia um recurso abundante pode se transformar em deserto líquido.
O Parque Nacional de Mágoè luta para preservar sua biodiversidade — e o futuro da pesca na província de Tete depende dessa luta.




