FEMATRO acusa fragilidades da fiscalização de causarem acidentes rodoviários em Moçambique

O presidente da FEMATRO, Castigo Nhamane, critica falhas na fiscalização rodoviária e defende penalizações exemplares para motoristas infratores, após os acidentes de Chongoene e Manhiça que causaram 35 mortos.

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O presidente da Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO), Castigo Nhamane, denunciou hoje a existência de graves fragilidades na fiscalização rodoviária, que, segundo ele, estão a contribuir para o aumento dos acidentes de viação no país.

A posição surge após os recentes sinistros em Chongoene (Gaza) e Manhiça (Maputo), que juntos provocaram 35 mortos e dezenas de feridos, reacendendo o debate sobre a segurança nas estradas nacionais.

Nhamane foi contundente ao afirmar que a falta de controlo eficaz das viaturas de transporte público por parte das autoridades constitui um dos principais fatores que permitem a ocorrência de tragédias.

“Os acidentes de Chongoene e Manhiça devem ser um alerta para que as autoridades endureçam as medidas de fiscalização. A atual fragilidade só cria espaço para indisciplina e irresponsabilidade nas estradas”, disse o dirigente.

O presidente da FEMATRO revelou que a federação já apresentou diversas propostas para ser integrada no processo de fiscalização, mas até agora não obteve resposta positiva.

“Se formos integrados, poderemos certificar o que acontece dentro dos mini-bus e autocarros e aplicar medidas severas contra os prevaricadores. Não queremos apenas denunciar, queremos ajudar a resolver”, acrescentou Nhamane.

Apesar disso, a federação garante que continua a desempenhar o seu papel nos terminais rodoviários, onde procura organizar os transportes. Contudo, Nhamane reconhece que condutores ilegais conseguem infiltrar-se no sistema, criando desordem e colocando em risco a vida dos passageiros.

Em reação direta às duas recentes tragédias, Nhamane defendeu a necessidade de penalizações severas e exemplares contra motoristas infratores.

“Só com punições duras poderemos desencorajar comportamentos perigosos que tantas vezes resultam em mortes nas nossas estradas”, afirmou.

O dirigente sublinhou ainda que os acidentes rodoviários estão a representar uma grave ameaça à vida, à economia familiar e à imagem do setor dos transportes, pelo que é urgente uma resposta coordenada entre autoridades e operadores.

As declarações de Nhamane juntam-se a outras vozes da sociedade civil e de entidades governamentais que, nos últimos dias, têm exigido maior disciplina nas estradas, fiscalização eficaz e cumprimento rigoroso das leis de trânsito.

Com o país ainda em luto pelas vítimas de Manhiça e Chongoene, o tema da segurança rodoviária ganha destaque na agenda nacional, num momento em que se procura travar a escalada de acidentes que vitimam centenas de moçambicanos todos os anos.

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