Moçambique enfrenta temporada de chuvas devastadora: mais de 1 milhão afectados

Chuvas intensas e ciclones consecutivos deixam mortos, desaparecidos e milhares de casas destruídas em várias províncias de Moçambique. A infraestrutura, agricultura e saúde são severamente impactadas, enquanto centros de acolhimento tentam abrigar os desalojados.

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Em meio a céus carregados e rios transbordando, Moçambique enfrenta uma temporada de chuvas que já deixa marcas profundas. Dados recentes do Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD), actualizados até o final de segunda-feira, revelam que mais de 1 milhão de pessoas sofreram algum tipo de impacto nas últimas semanas, com dois novos óbitos contabilizados apenas nas últimas 24 horas.

A actual temporada chuvosa, que se estenderá até o fim de abril, atingiu 233.998 famílias, provocando 17 desaparecidos e 351 feridos, segundo o balanço oficial. O cenário é de destruição generalizada: mais de 21 mil casas foram parcialmente destruídas, 10 mil completamente arrasadas e mais de 200 mil inundadas.

A tragédia não é nova. Somente as cheias de janeiro tiraram a vida de 43 pessoas, deixaram 147 feridos e 9 desaparecidos, afetando mais de 715 mil cidadãos, sobretudo nas zonas do sul, que nos últimos dias enfrentaram uma nova onda de enchentes. Em fevereiro, o ciclone Gezani atingiu a província de Inhambane nos dias 13 e 14, ceifando quatro vidas e deixando 9.040 pessoas em situação de vulnerabilidade.

Além das perdas humanas, a infraestrutura do país sofre severamente. 304 unidades de saúde, 104 locais de culto e 724 escolas foram danificados em menos de seis meses, comprometendo o acesso a serviços básicos e educação em várias regiões. A agricultura, pilar de subsistência para milhares, também foi duramente afetada: 267.438 hectares de áreas agrícolas foram destruídos, prejudicando 355.070 agricultores, enquanto 531.068 animais, entre bovinos, caprinos e aves, morreram.

As estradas e conexões vitais não escaparam do desastre. Foram registrados danos em 8.434 quilômetros de estradas, além de 50 pontes e 237 aquedutos comprometidos, isolando comunidades e dificultando a resposta emergencial. Desde outubro, o INGD ativou 195 centros de acomodação, que chegaram a abrigar 139.284 pessoas; atualmente, 64 centros permanecem ativos, atendendo pelo menos 30.954 cidadãos, enquanto 7.214 foram resgatadas de áreas de risco iminente.

As autoridades alertam que, com a continuidade das chuvas até abril, o cenário pode se agravar. Para muitas famílias, a próxima semana será decisiva: reconstruir, recuperar e resistir frente à força impiedosa da natureza.

O país observa, mais uma vez, como eventos climáticos extremos expõem fragilidades históricas e a urgência de políticas públicas que aliem prevenção, preparação e solidariedade. Em cada vila inundada, cada escola danificada, cada agricultor sem colheita, a chuva conta uma história de resiliência e de luta por sobrevivência.

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