Um silêncio ruidoso marcou o dia para milhares de passageiros que dependem do transporte semicolectivo nas rotas Praça dos Combatentes–Xipamanine e Baixa. As viaturas conhecidas como “chapas” simplesmente desapareceram das estradas, provocando filas intermináveis, longas caminhadas e crescente frustração entre os utentes.
O que aparentava ser uma manhã normal rapidamente se transformou em caos urbano. Muitas viaturas permaneceram estacionadas, outras circularam vazias — um sinal claro de protesto por parte dos transportadores, que acusam a Polícia Municipal de perseguição sistemática.
A paralisação, não oficialmente declarada como greve, deixou claro o descontentamento da classe, que se queixa de excessivas multas, apreensões arbitrárias e falta de diálogo institucional.
“Estamos a ser perseguidos. Os colegas que tentam trabalhar são sabotados — há pneus furados e ameaças. Assim não dá para continuar”, contou um dos motoristas sob anonimato.
Entre as vítimas do impasse estão trabalhadores, estudantes e mães com crianças ao colo, forçados a caminhar por quilómetros sob o calor e a pressão do relógio. As queixas repetem-se: atrasos, prejuízos e sensação de abandono.
“Fiquei mais de duas horas à espera. No fim, tive de andar até Xipamanine. Isto é desumano”, desabafou Alice Matola, funcionária pública.
Nos bastidores, a tensão entre os próprios transportadores aumentou. Relatos indicam que alguns motoristas que tentaram manter as suas rotas em funcionamento foram alvo de retaliações, com pneus furados e ameaças físicas.
Perante a crescente instabilidade, a Polícia Municipal e a Polícia de Proteção reuniram-se de emergência com representantes dos transportadores, ouvindo as preocupações da classe.
“Estamos abertos ao diálogo. Mas não toleraremos desordem na via pública”, declarou um porta-voz da Polícia.
O Conselho Municipal ainda não se pronunciou oficialmente, mas fontes internas indicam que poderá haver uma proposta de revisão das multas e fiscalização nos próximos dias.




